sábado, 7 de abril de 2012

Do nosso projeto, inserido na categoria Letras & Jornalismo, publicamos hoje mais um trabalho de pesquisa sobre a Vila de Arcozelo. Julgamos ser importante a caraterização dos vários domínios da nossa terra, para proceder a uma análise prospetiva e reflexiva sobre o seu devir.

A primeira referência histórica à freguesia de Arcozelo conhecida, data de 1113. Em 1518, é referida nos “forais novos”, decretados por D. Manuel I, fazendo parte das terras da Feira, englobando dentro dos seus limites a Igreja de São Paio de Oleiros. Esta Igreja, veio a cair e o culto que se veio a formar em Igreja Paroquial. Atualmente a Igreja Paroquial, situa-se a escassos metros da antiga, em edifício moderno e funcional .
É no cemitério Paroquial que se encontra a capela dedicada a D. Maria Adelaide “canonizada” apenas pelo povo, pois a Igreja recusou tal santidade. Senhora oriunda de Lamego, foi professora do Convento “Corpus Christi” (Gaia), onde veio a contrair tuberculose, doença que não a inibia de se dedicar à caridade. A sua morte ocorreu em 1885, permanecendo a memória desta benfeitora no pensamento de todos.

Em 1916, tendo sido aberta a sua sepultura para se proceder ao levantamento dos restos mortais, foi com grande espanto que depararam com um corpo incorrupto. Um brado de estupefação correu a freguesia de lés-a-lés e o povo ocorreu de imediato ao cemitério para saber do acontecido.

Arcozelo possui ainda a Igreja Matriz, construída no século XVII, tal como as capelas de Espírito Santo e da Nossa Senhora da Nazaré. Estas Igrejas adotaram, em regra, o estilo neo-romântico-bizantino, particularmente evidente no jazido-capela de Maria Adelaide em algumas casas, palacetes e quintas, em regra pertencentes da Burguesia.

Das figuras que se podem destacar nesta freguesia, salientam-se as do Padre Manuel Nunes de Campos, que nela pregou durante 36 anos, assim como as de Eça de Queiroz (que passou ferias e viveu na Quinta de Enxomil ou na Granja), e dos doutores Paulo Falcão, João Grave, Alfredo Cortez, entre outros. 

 Nesta freguesia, os lugares mais antigos são os de Enxomil e de Vila Chá em Mira. Arcozelo é atravessada pelo pequeno riacho de Espírito Santo.
No século XVII a freguesia foi atingida por uma epidemia muito violenta, ficando a população reduzida unicamente a 11 habitantes. O seu passado esteve virado para a agricultura mas, nas últimas décadas, a pouco e pouco foi-se transformando numa zona industrializada, destacando-se como a serralharia, o têxtil e a tapeçaria. Hoje em dia são sobretudo famosos os ferros forjados saídos das oficinas do Corvo. Estes belíssimos trabalhos em ferro, espalham-se por todo o país e até no estrangeiro.
Na Aguda, povoado pertencente a Arcozelo várias são as coletividades que nele se destacam. Citam-se, a Federação do Folclore Português, o Clube Ornitológico Português, a Estação Litoral e a Sociedade Columbófila. Esta coletividade dedica-se a criar e a adestrar pombos, especialmente pombos-correios, que concorrem em numerosas provas.
O lugar possui ainda o Museu das Pescas, um Aquário Publico e um departamento de educação e investigação vocacionados para a ecologia marinha, aquacultura e pescas. No Museu das Pescas elevam-se as artes tradicionais de pesca artesanal expondo-se nele vários utensílios de pesca, que são comparados com equipamento de outros países e de outras épocas, como por exemplo: anzóis, fisgas e arpões.
A Aguda possui um Parque de Turismo inaugurado em 1940, que possuía salas de cinema, restaurantes, “courts”de ténis e “rink” de patinagem.
A Gastronomia, parte importante da cultura de Arcozelo apresenta a caldeirada de peixe e/ou de marisco como pratos tipicamente tradicionais desta freguesia localizada junto ao mar pelo que estes pratos também constituem uma atracção para os turistas.
 Arcozelo
 Arcozelo é uma freguesia conhecida sobretudo devido à romaria do Sr. da Pedra e às festividades em honra da “Santa” Mª Adelaide, bem como às praias de Miramar e da Aguda.
     A freguesia é referida e conhecida, até meados do século XX, como sendo exclusivamente rural, destacando-se assim a origem simples da população, que se dedicava, na maioria, à agricultura e a uma indústria pouco desenvolvida. O apego da população às tradições folclóricas, à serralharia artística e às rendas de bilros e tapetes de Arraiolos demonstra o lado tradicional dos arcozelenses.
Todavia, no dizer de Pacheco (1986, p. 207) em Arcozelo “ […] as colmeias piscatórias da Aguda e as cosmopolitas Granja e Miramar eram exceções […] “ ao ambiente rural da freguesia.
Apesar de grande parte da Granja pertencer a São Félix, há uma pequena faixa que ainda faz parte de Arcozelo. A Granja, “muito bem frequentada” particularmente em época balnear, como será referido na parte respeitante a São Félix. Deve, no entanto, salientar-se a passagem por Arcozelo de alguns vultos importantes como: Eça de Queirós (que, além da Granja, também esteve na Quinta de Enxomil), o Dr. Paulo Falcão (Governador Civil do Porto depois de 1910), João Grave e Alfredo Cortez (escritores), e ainda o arquiteto Oliveira Ferreira (que, mais tarde, deu o seu nome à escola secundária de Arcozelo, escola que ora frequentamos).
Na freguesia, para além da Granja, uma outra localidade atraiu população de elevada estirpe social, já que, como refere Pacheco (1986, p. 208) “ […] Miramar, com belos chalets de praia, ruas arborizadas e o Parque da Gândara […] “ era sobretudo local de frequência balnear. Talvez por isso são referidos os “ chalets de praia “. Miramar, embora frequentada pela alta sociedade, ao contrário do que sucedia na Granja, onde ia a aristocracia, em Miramar predominava uma certa burguesia endinheirada.
Outro contraste com o ambiente rural e com as casas apalaçadas e os “chalets” de praia, eram as colmeias piscatórias da Aguda, onde se praticava - e ainda se pratica - uma pesca tradicional. Porém, com o passar dos anos assistiu-se à diminuição da mão-de-obra e da actividade piscatória, fruto da emigração dos pescadores para a Europa, sobretudo para países como a França, a Alemanha e a Holanda. A Aguda, mais precisamente nos anos 20 e 30 do século XX, era uma verdadeira “ […] colmeia feita estância de veraneio pela explosão das villas e chalets […] “, corroborando Pacheco (1986, p. 208), destacando-se, nos dias de hoje, sobretudo pelo seu apelativo litoral a nível turístico. A zona habitacional, atualmente também bastante desenvolvida, sobressai em zonas um pouco mais afastadas do litoral. Para tal contribuíram múltiplas ações que devolveram vida a edifícios abandonados, e se preocuparam com a construção de zonas de lazer e de conhecimento do mar, tais como o Parque da Aguda e a ELA - Estação Litoral da Aguda. Poderá, então, concluir-se que, na Aguda, se verifica, nos dias de hoje, a convivência e o entrecruzar de dois tipos sociais distintos. Um, o mais próximo do mar, onde se localiza a comunidade de pescadores ainda existente, e um outro, o das populações de classe média e média alta que habitam próximo da linha ferroviária.
A extensa e “boa” faixa litoral que a freguesia detém, motivou um grande desenvolvimento das suas praias (Aguda, Miramar e uma parte da Granja), contribuindo, deste modo, para uma maior atração turística. Talvez por esta razão, o autarca de Arcozelo, António Amendoeira, tenha declarado ao Jornal de Notícias em Outubro de 1997, que “ Arcozelo tem as melhores praias de Gaia […] “.
Pode constatar-se que todo este desenvolvimento propiciado pela “ […] urbanização intensiva, industrialização e o alastrar da mentalidade urbana […] “ (Pacheco, 1986, p. 207) contribuiu para o eliminar de algumas tradições de há muito enraizadas e para o transformar do ambiente rural de meados do século XX numa “ […] das freguesias mais desenvolvidas de Gaia […] “, como é citado no artigo do JN de Outubro de 1997.
Para finalizar, pode acentuar-se que Arcozelo, elevada a vila em 1988, tem demonstrado sinais de dinamismo e mudança, constituindo, assim, a mais urbana das três freguesias em estudo.


Um relance sobre a vida económica da freguesia de Arcozelo



            Reportando-nos apenas aos tempos presentes, pode dizer-se que a freguesia de Arcozelo se caracteriza por uma notória evolução em termos de dinamismo e atividades económicas nela existentes. Uma vez que em tempos idos, era uma zona essencialmente rural, foi possível concluir, através de exemplos a seguir explicitados, que Arcozelo se transformou numa área com um grande potencial a nível industrial. A área do comércio vai adquirindo, também, importância com a criação e desenvolvimento de estabelecimentos comerciais de um certo reconhecimento. Esta região agrícola tornou-se, em suma, numa zona fortemente industrializada, onde existem empresas tanto de nível nacional, como internacional. Apesar disto, sem a projeção de outros tempos, Arcozelo conserva ainda uma boa parcela de terreno agrícola, onde se cultiva o milho, a hortaliça, a batata, a cebola…
            Na fruticultura destacam-se as produções de ananás e kiwi. Já na floricultura proliferam, por sua vez, as estufas, onde crescem os cravos, os goivos, as estrelícias, as dálias, entre muitas outras espécies.
           
Em tempos mais recuados… predominavam

·        O Mercado da Aguda que ocupava uma área de 800 m2 junto à praia do lado sul (Rua Alfredo Dias), acabou por ser um espaço substituído por casas pré-fabricadas, habitadas por famílias de pescadores. Nunca chegou a funcionar em pleno, porque os vendedores ambulantes preferiam vender os seus produtos diretamente na rua, o que acontece ainda hoje. Mais recentemente, procedeu-se à construção de um outro mercado, o Mercado de Levante.
·        Em relação ao artesanato, pode dizer-se que foi ignorado durante muitos anos pelas populações que não se apercebiam da riqueza da sua arte. Contudo, tem vindo a recuperar importância, particularmente nas últimas décadas, através da organização de feiras, exposições e outras manifestações de carácter popular. O artesanato tem como variantes a criação de miniaturas regionais, de estatuetas de madeira e trabalho em ferro forjado (grades, portões, candeeiros, fogões de sala…).
·        Os tapetes de Arraiolos constituíam um indústria de cariz familiar e artesanal, das mais conhecidas da região, verificando-se uma proliferação de pequenos ateliers de tapeçaria tipo Arraiolos. Inicialmente esta atividade era apenas exercida em casa, nas horas vagas e pós-laborais, tendo sido só posteriormente comercializada, em casas de especialidade.
·        Relativamente ao Comércio e à Indústria, Arcozelo dizia respeito a uma região essencialmente agrícola, ocupada por lavradores, caseiros e muitos trabalhadores rurais. A Indústria limitava-se a pequenas oficinas de serralharia, marcenaria, tapetes de Arraiolos e a algum artesanato, atividades estas referidas anteriormente. A nível do Comércio existiam poucas mercearias de bom nível, alguns talhos e pequenos estabelecimentos de mercearia-e-vinhos, tascos e drogarias.

Nos últimos anos, a feição de Arcozelo foi mudando, aparecendo sobretudo na zona nascente, diversas indústrias, destacando-se as seguintes…

·        Yazaki Saltano que se dedica ao fabrico de cabelagem para automóveis.
·        Cabelte, fábrica vocacionada para as telecomunicações e umas das melhores apetrechadas da Europa.
·        Desco, fábrica de material eléctrico e electrónico. A sua actividade principal é o fabrico de cabos de alimentação, fio eléctrico, prolongadores, tomadas, fichas e enroladores destinados à indústria de electrodomésticos.
·        Dat-Schaub, empresa que se dedica à indústria alimentar, produzindo tripas para enchidos.
·        Progado, sociedade produtora de rações, ligada à alimentação animal, à pecuária e à moagem de cereais.
·        Orni”ex”, ligada à produção, importação e exportação de produtos para todo o tipo de animais de companhia.
·        Caves Acácio, dedicada ao armazenamento e comercialização de vinhos de mesa de tipos diversos como o Rose, Verde, Dão, Douro e o da Bairrada no mercado nacional, assim como de aguardentes.
·        Pincéis Universal, uma das mais conceituadas marcas de pincéis do país que se tem, também, lançado no mercado internacional.
·        Fábrica Miramar, empresa do ramo dos pincéis, tendo sido a que mais trabalhadores empregou e a primeira a fabricar rolos para pintura no país. A projeção da marca Miramar estendeu-se a vários países europeus, assim como, para as antigas províncias ultramarinas (PALOP’S), exportando os seus produtos essencialmente para estas das regiões. (*)
·        A Renascença do Corvo, serralharia que para além do trabalho vulgar em aço, metal e alumínio, tinha uma vertente artística de construção em ferro forjado e bronze. Os seus produtos alargaram-se a todo o país, realizando-se obras de grande vulto, como os edifícios da Philips, da Shell, do Banco Espírito Santo, do Banco Totta e & Açores, entre outros. (*)
·        Serralharia Artística do Corvo, praticamente só dedicada à arte de construção em ferro forjado. (*)
·        Soarmoldes, que fabricava moldes em aço para a indústria de plásticos. (*)
·        Empresa têxtil Delfim Ferreira, que foi uma das mais modernas e qualificadas empresas têxteis algodoeiras do país, até à década de 70. A partir dessa altura entrou em declínio, tendo sido encerrada definitivamente em 1992. (*)
 Bibliografia:
- Amendoeira, António T. D. (1994).Vila de Arcozelo: História e Monografia. Edição do autor patrocinada pela Junta de Freguesia e Câmara Municipal.
 
- Pacheco, Hélder. (1986). O grande Porto: Gondomar, Maia, Matosinhos, Valongo, Vila Nova de Gaia (1ª ed.). Lisboa: Presença.

Silva, João Belmiro Pinto da, Gomes, Catarina Sofia e Costa, José Carlos. (1999). Vila Nova de Gaia: a outra margem Douro. Paços de Ferreira: Anégia Editores.
 Jornal de Notícias do dia 22/10/1997

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Turma do 11º 0 vai continuar as entrevistas nesta última semana, para a realização de um video onde os entrevistados dão a sua visão sobre o futuro de Arcozelo. Hoje, publicamos o resultado de mais opiniões de gentes da nossa terra sobre  o devir da nossa região. Depois de auscultados sobre o que mudariam na sua rua, freguesia, quisemos que lançassem ideias que gostariam no futuro que fossem implementadas. 
Bolsa de Ideias :


Isabel Guerra- Gostaria  que a junta de freguesia criasse um portal de Voluntariado e de Solidariedade.
Sr José Silva - Era importante que fosse dada voz aos cidadãos.Por isso, devia ser criada uma plataforma pública de natureza critica, ou seja, um instrumento de mobilização para que todos pudessem criticar com vista ao bem individual e comum.
Filipa Silva- Face ao momento de crise que atravessamos era importante que fosse criada uma página no facebook para os alunos mais carenciados das escolas( Twitter ou Tumbir)
André Dias- Podia-se criar um blogue para discutir os assuntos mais prementes da região. Assim, as pessoas que nos governam podiam saber as reais necessidades de cada cidadão na sua rua, na freguesia ou de alguma instituição a que pertençam.
Pedro Sousa- Era bom que a nossa freguesia tivesse mais eventos desportivos , e que não fosse somente o futebol. Era bom que se pudesse praticar ténis de mesa, e já agora um maior apoio aos jovens  com necessidades neste capítulo.
Susana Silva. Faltam muitas infra estruturas ao nível das zonas balneares: casas de banho, parques  e atividades que pudessem ocupar os jovens em tempode férias.
Márcio Costa- Mais empresas a apostar nos jovens. Sugiro a criação de uma bolsa de emprego por ramo de atividade a publicar na net , onde as empresas colocariam as suas necessidades de emprego, e aí, cada cidadão veria  se teria as condições para ser colocado ou não.